segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Tchauzinho programado


E eu aqui.
Leio muito mais do que escrevo. Geometricamente.

Após o Adeus* sossegado e desconfiadamente tristonho, o programa de dois dias fora. Para fora.
Hoje eu agradeço por ter aquele lugar. Agora agradeço. A partir deste momento.
Por quê?
Porque me parece, singelamente, que estou a mudar um comportamento antes tão detestado e tão sôfrego.
Avisar a mãe do local da pousada da noite por duas delas seguidas, ouvindo comentários desagradáveis, sim, mas de quem conhece a filha mais que qualquer um, simplesmente pelo parentesco agora me entra aos ouvidos com outro tom. Não à priori, obviamente, o ser humano é devagar em auto-modificações e reorganizações do padrão comportamental. Afinal, o Behaviorismo não vigora mais thank God! E me faz ser ainda mais cautelosa e meticulosa com a frequência. É! Ô, palavrinha medonha essa de que fujo e me persegue com tanto vigor.
Tenho, neste momento, uma epifania de uma preocupação séria com este meu temor paranóico com a frequência. A de rádio? Óh, quem me dera!
A da visão. A do tato.
Para quem acabara de ler Ensaio sobre a Cegueira, essas palavras fazem todo o sentido possível. E, aliás, altamente recomendado. Não há assim, admito, grandes entrelinhas metafóricas como as de escritores underground os quais muito já li e quebrei a cabeça no quebra-cabeças semântico. Ainda assim, ótimo.
Pois, retomando, o corte da frequência da visão e do tato faz-me ter ilusões sobre o retorno. A volta. O reencontro. Nomes bonitos para uma carona da estação de ônibus à minha residência. Uma sensação de que olhar e sentir vão ter um frescor gostoso de quem se ama [ou acredita vêemente que sim] e que manterá a relação com a frequência mais doce e suportável para dois.
Era neste patamar que humildemente esperava um dia chegar - ao de propositadamente cortar as ondas, retê-las em algum lugar misterioso e mágico da minha cabecinha só para saborear a sua explosão em tsunamis incontroláveis, mesmo que só pelo dia primeiro e fazer acreditar ele que vale a pena ter-me assim como sua. E [digo] não ao feminismo promíscuo de sensação de posse com o verbo ter e o pronome possessivo {há!]. É o popular. E a verdade. Mas sem parâmetros e teorias para justificar a assertiva. Agora não.
E que isso se torne um hábito e que com o tempo deixe de ser tema de epifanias enamoradas de uma garota com problem[inh]as de relacionamento em um blog passivo ao visto de outrem.
Mas me excita. De fato. Isso é bom. Não degustava dessa animação por um certo tempo.
Não dei data fixa para a chegada. Dependerá da minha necessidade ou angústia em voltar para a cidade. Porém, esforçar-me-ei em cumprir a data previamente estabelecida à minha mente insana e arquitetonizadora de planos loucos para uma relação duradoura, efervescente e transbordante daquelas coisas que todo o casal prova no início e quer mais sem inexplicavelmente reconhecer o um dia percorrido caminho.

* Não sei o porquê de escrever esta palavra com maiúscula. Confesso que a escrevi automaticamente e apaguei-a em seguida de dar por mim de estar no meio de uma oração. Entretanto, reapaguei e reescrevi como no princípio. Deve ter algum sentido subliminar. Aceito teorias.

3 comentários:

  1. Li o livro faz pouco tempo. Talvez tenha entendido da forma que escreveu. Ou não, já que eu sempre entendo outras coisas no que leio.

    (E as frases do meu post são desse livro sim. O único que li dele).

    ;)

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  2. Quero um lugar assim , para ler mais, correr mais, respirar mais...

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  3. Fiquei satisfeita com o que li. Não que eu esteja julgando ou avaliando ou esperando coisas, não mesmo, embora algumas pessoas adorem dizer isso sobre mim. E não que minha opinião vá ser de grande valia nessa hora. Mas fiquei feliz em ler tuas palavras que, apesar de se referirem a um momento desagradável, estão limpas, claras, amadurecidas...não li palavras carregadas de amargura como volta-e-meia acontece quando nos decepcionamos com alguma coisa ou alguém...li o desabafar calmo e tranqüilo de uma mulher que resolveu seguir em frente...sem "mimos", frescuras ou qualquer outro tipo de "mimimi"....aliás, sabes o quanto eu odeio esses "mimimi"....

    Estou orgulhosa de ti, Gi! Tudo vai dar certo, tenha certeza....

    Beijão.

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