sábado, 26 de junho de 2010

Angústia e sorriso.


E essa janela ficou muito tempo aberta esperando a inspiração chegar.
E eu olho essa foto e fico a pensar.
Tanta coisa ela me faz sentir.
Um mistura de nostalgia de algo que talvez ainda nao tenha vivido, mas por algum motivo sentirei falta.
Uma sensação falsa de liberdade. Uma liberdade velada.
Em direção ao Sol, mas nunca perto o bastante para realmente sentir seu calor.
Tenho vontade de me inserir nela e lá ficar. Viver nessa foto. Nesse momento. No que senti ao capturar essa imagem.
Essas pessoas felizes, encantadas com a vista, aquecidas com o calor da estrela maior, esquecendo o frio, o vento. Todas envoltas pela beleza do lugar e pela satisfação de poder apreciá-la ao vivo e em cores.
E agora percebo: estou fora dessa captura. Assitindo em silêncio a felicidade alheia. Mera observadora. Incapaz de inserir-me nesse espectro lúdico que a natureza oferece.
Vejo, assisto, capturo, porém não vivo, nao sinto de fato.
Sinto através dos outros de suas caras, gestos e sons expressando alegria e encantamento.
É como um fumante passivo, embriagando-se com o que sobra da nicotina já absorvida pelo outro.
Talvez seja por isso a estranha sensação. Ainda nao vivi esse momento. Ele passa por mim, me provoca, mas nao consigo alcançá-lo, fazê-lo meu.
E eu quero. Quero muito. E aí vem a angústia.
Entretanto, ela nao deixa jamais de ser absolutamente linda, transparecendo um sentimento puro e espontâneo que me faz abrir um sorriso e pensar que a minha vez chegará, que eu estarei também a brilhar num dia de sol num entardecer sem igual. Momento único marcado na alma.
E será a marca de uma grande conquista. Refletirá, com certeza, bem mais que a emoção de por os pés onde a natureza não poupou esforços para lapidar. Refletirá um novo eu, uma nova forma de ver o mundo, de pensar e amar.
Um momento onde tudo que eu almejo estará já no seu lugar e hora certos dentro da minha vida.

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Epifanias alheias

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