
Que engraçado. Muito engraçado.
E não, não no sentido de fazer risadas borbulharem, mas de não entender e de repudiar a capacidade de certas pessoas em serem descabidas.Nem sei se esse seria o termo, mas meu sangue ferve tanto que não consigo encontrar a palavra correta.
Sinto uma breve revolta por ter dado ouvidos ao que eu tanto tentava esquecer.
E de volta aquela sensação estranha e sem nome que me tira a fome e o tino.
Antes de tudo, preciso entender-me.
Tá na hora de começar uma página em branco. Porém toda vez que eu viro a folha, ela possui um borrão, eu sigo virando as próximas e o borrão mantém-se.
Desejo muito que ele diminua e venha a extinguir-se antes do caderno acabar.
Se não, terei de comprar um caderno novo.
É isso, de fato. Preciso de um caderno novo. Mas me assombro em abri-lo e a mancha estar lá, perene, como uma tatuagem na história da minha singela vida.
Mas tatuagens só cirurgias tiram, né? E onde essa está não se pode operar.
E que saída me sobra?
Esbravejar, xingar, repudiar, estremecer, ter odio de mim mesma por ter isso como motivo de um texto.
Só sei que achei palhaçada. E eu tinha que tomar vergonha na cara e parar com isso. Com esse comportamento adolescente nauseante. Com esse importar-se sem o menor sentido. Voltar ao plano A, o qual nunca deveria ter desfeito-me. Só o plano A pode remover essa mancha tatuada nas minhas páginas vivas. Antes que se desmereçam e tornem-se nada mais além de mantenedoras dessa sombra.
E como fui ingênua. Nossa. Sem comentários. Só de tocar nesse tópico revolta-me o estômago. Que cena. Que drama. Até satisfações tive que dar e defender-me, pois o mal tinha sido devastador. Ah, se catá. E eu ainda racionalizo, teorizo, explico, tento desembaralhar. Que grandeperda de tempo. E em graaande parte minha.
Grande bestialidade. Mereço até troféu.
O mundo girando aí pra todo mundo e eu esperando o Espírito Santo encarnar no Brad Pitt. Só isso pra explicar mesmo esse meu comportamento estúpido e bestial.
Pelo menos registro aqui esse momento com palavras, o que me faz muito bem, me faz recobrar os sentidos aos poucos e voltar À realidade. Chega de imaginar um outro mundo, um outro amanhã. O negócio é feio mesmo e não adianta tentar pendurar enfeites porque logo logo eles caem e a feiura da verdade aflora.
Confusão mental, cala-te já e para o sempre.
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Epifanias alheias