
Percebo que o que não consigo expressar com clareza oralmente, escrevo.
Ou que gostaria de dizer-te agora e não há como.
Isso é bom. Exercício que me libera endorfinas. As preciso bastante ultimamente.
Esclarecer parece agora ser o termo. Talvez mude ao decorrer.
Tentarei ser dinâmica. Intensa e drástica. Porém, "doídamente" real.
Sinto o teu cheiro no meu perfume.
Vislumbro teus dedos nos meus em sonhos.
Tento por-me em teus sapatos e confortar-me que não sou um brinquedo guardado na estante a esperar o menino rever o detalhe que o cativou no objeto e carregá-lo consigo novamente.
A sensação é de total desajuste.
Desajustaste meus sentimentos.
Queres que eu não mais seja o alguém da tua vida, sumamos os dois um da vista do outro imediatamente. Derramo lágrimas desamparadas em mexer nas memórias nossas que talvez não mais renove.
Não me queres somente na lembrança remota de um ano qualquer desses da vida, me abraça inteira, desbrava esse mundo que amedronta, talvez até a mim, mas que te acolhe e te cuida como a árvore rara da minha felicidade.
Permite-me esparramar-me por entre tua pessoa e misturar-me aqui e ali sutilmente nas tuas profundezas obscuras. Medo tenho não. Na verdade, morro de curiosidade de explorar o que fica aí latente e só me enche de vontade de fazer aparecer, tomar vida e multiplicar-se.
Quero mudar absolutamente nada. Quero fazer-me parte disso. Quero a presença. Minha em ti, tua em mim.
São tão puras e fortes essas palavras que meus dedos deslizam em gotas de um pranto apertado, vivo, desconcertante.
Foge-me à conta por quanto tempo hei de manter intacto tudo isso que sinto até que venhas me envolver tua, descobrir como usufruir disso que lateja e mim e pede pra sair correndo até ti. Pois um dia, esvair-se-á esse tanto que te quer perto sempre por faltar o teu recíproco.
Mostra-me que posso esperar se o que tens aí dentro de ti também pulsa ao surgir na memória o que um dia foi o começo do que eu ainda quero trilhar.
Querer alguém bem demasiadamente não é autótrofo. Precisa de alimento para não perecer.
Não cogito permitir submissão do amor-próprio para nutrir algo fadado a simplesmente não ser.
Diz-me se ou que queres que seja.
Cá aguardo domando meus desejos.
Se queres encontrar razões para fazer-te crer que nunca o será, darei-te todas se for necessário. Elas sempre existirão, a diferença é como as vemos.
Porém quero que seja. Detalhe relevante, não eterno.
Adorei,lindo texto! Parabéns pelo blog!
ResponderExcluirMe visita lá : http://minhasmisturas.blogspot.com/
Beijo