
E olho para as fotos de eu pequenina, as que ainda restam penduradas na parede, as de albuns antigos, as que escaneei e volta e meia as encontro abrindo pastas e o que eu vejo? Vejo uma bebê doce, cheia de vida, risonha e de bem com o seu mundo com ainda muito por ser desvendado. Começo a lembrar da minha mãe, dos sonhos tão angustiantes que tive com ela e de como tenho dias que me dá uma dor de saudade, mesmo sabendo que ela está perto e a poucos dias de voltar para casa. Essa manhã acordei com meu próprio gemido de choro apertado que me prendia num pesadelo com uma mãe que não tinha a mesma face que conheço, falava diferente e usava piercings e maquiagem permanente. Não consigo entender agora o que isso significaria, mas lembro de simplesmente ter odiado vê-la com aquele aspecto diferente. E chorei desesperadamente quase o pesadelo inteiro. Sinto uma vontade louca de pegar meu carro e voar asfalto à fora para encontrá-los. Porém, até a idéia de ouvir sua voz no telefone faz esvair-me em lágrimas. Sinto-me mal por esses sonhos terem retornado, pois antigamente siginificavam a minha angústia de uma relação perturbada embalsamada nas profundezas do meu sub-consciente que, sem mais ter condições de aprisioná-la, invadiam meu sono fazendo escapar esse sentimento de incompatibilidade que sempre tive com ela. Todavia, após uma das conversas mais derradeiras, tive meses de placidez em que os sonhos pararam de se manifestar. Senti que havia superado uma etapa na tentativa de acerto da minha relação com ela. Ainda não consigo olhá-la e dizer: "Mãe, te amo", mas a amo deseperadamente. Ela é o único ser que tenho. É meu cais. É o que me faz ter significado na minha existência. Não consigo dizer-lhe tantas coisas que para ninguém o posso fazer. Mas ela não é do tipo que saiba dar conselhos e confortar com palavras uma alma inquieta. Mas ao menos ela me distrai, ela está por perto, posso propor atividades em que possamos passar horas juntas, mesmo se com algumas discussões e caras feias. Ela acalma minha consciência aflita sem a menor desconfiança de que posso estar a despedaçar-me por dentro, querendo um colo e um ombro para chorar horas meus medos e dores. Sinto uma tremenda falta de poder fazer isso e devido a um episódio triste em nossas vidas, um riacho abriu-se entre nós e não mais consegui confiar-lhe meus segredos. Ela não deixa de ser meu cais, mas necessito escrever desenfradamente para poder desfrutar de sua companhia sem encher os olhos de lágrimas e em seguida esconder-me no meu mundinho verde e roxo. Ela muito se chateia com essa minha atitude isolativa, pois não percebe que o que não posso dizer preciso digerir sozinha a escrever e chorar e assim conseguir usufruir de sua companhia e ser seu ponto de apoio. Ela irá entregar-me o canudo e eu não imagino o que me passará nesse momento com tantas coisas que sinto por ela e me faltam meios de expressar. Será uma enxurrada de sensações que nunca esquecerei. Tive uma paz verdejante durante esses meses em que ela passou fora. Porém, ultimamente tenho tido dias opacos aqui no meu isolamento de tijolo e concreto.
Oh, flor... eu não sou ninguém pra te dar conselhos, mas acho que posso - por gostar de ti e me preocupar contigo - te falar uma ou duas coisas sem que isso te seja prejudicial...
ResponderExcluirParece ser [quase] sempre assim: as pessoas que mais amamos, que mais significam na vida da gente são aquelas com as quais temos mais dificuldade de nos relacionarmos... ou por sermos muito parecidos ou muito diferentes delas.
O importante é nunca esquecermos o que elas significam na vida da gente e, mesmo que da parte delas surja algum fato ou palavra que nos magoe muito mesmo, não retribuamos na mesma moeda.
Os pais/mães têm uma característica estranha de acreditar que podem e devem nos "ensinar" lições por meio de palavras duras, quando nos deveriam ensiná-las por meio de exemplos de vida.
Mas os "erros" ou equívocos dos pais não devem justificar os nossos "erros" ou equívocos. Entendes o que eu quero dizer?
Por mais difícil que seja, às vezes é melhor calar aquilo que se está pensamndo no momento da discussão ou briga.
Os outros podem começar uma briga ou discussão, mas nós podemos terminá-la a partir do momento em que fechamos nossos ouvidos para as ofensas que recebemos e calamos as resposats igualmente ofensivas que poderíamos dar.
Demosntrar força de caráter não é aceitar e retribuir ofensas, mas sim, tendo a certeza de nossos pontos de vista, não nos deixarmos perturbar pelo que pensam os outros.
As pessoas raramente comprendem porquê agimos desta ou daquela maneira. Tudo bem, contanto que nós saibamos...
Espero que sempre possas ter muita paciência e tranquilidade pra lidar com todos que te cercam, especialmente com a tua mãe.
As pessoas raramente sabem demosntrar o quanto gostam e se preocupam conosco, mas isso não signifca que elas não gostem ou se não se preocupem coma gente.
Fica bem minha flor! bjo
Sobre isso, ou sobre qualquer assunto que remeta a isso, só tenho uma coisa pra dizer: Se alguém nos ama menos do que gostaríamos, isso não significa que essa pessoa não nos ame com toda a capacidade que tem, com todo o amor que pode nos dar.
ResponderExcluirUm grande beijo. Fica com Deus. Depois responderei aos comentários no meu blog sobre o tema dos "filhos"....