segunda-feira, 2 de março de 2009

Sobre Sílvia.


[ Esse texto encontrei em arquivos de um antigo pc que coloquei a funcionar novamente. Decidi postar, pois essa era a visão que tive quando a professora de Ensino de Língua Inglesa resolveu criar um curso para praticarmos o que aprendemos em suas aulas, assim com o semestre correndo já. Sofreu muitas críticas de colegas que não concordaram com a forma desorganizada e em cima da hora de providenciar esse curso para alunos do ensino médio em aptidão em leitura para o vestibular. A questão é que achei absolutamente corajoso da parte dela movimentar-se e fazer acontecer algo para a nossa evolução na área, de não ter-se acomodado e dado somente textos e mais textos para lermos e divagarmos numa realidade surreal. O que marcou para mim, foi que, além dela ter conseguido oferece-nos um momento de atuação real em ensino de língua, ela mostrou-me que temos que fazer acontecer, não importando as crítcas fugazes dos que nada fazem para mover seu próprio traseiro e se acham colaborando para o aprimoramento geral somente procurando e achando defeitos e falhas no que os outros arduamente fazem surgir. Admiro essa criatura, como professora e como mulher. Minha lição acadêmica veio dela, definitivamente.]

PROFª SÍLVIA KURTIZ

ENSINO DE LÍNGUA INGLESA I

22 de Setembro de 2006.



Primeiramente, aproveitei muito (e acredito que os demais colegas também) essa experiência de dar aula como parte prática dentro de uma disciplina da faculdade. Foi realmente bem interessante ver a teoria se transformar em ação. Além disso, acredito que esse curso foi fundamental para as pessoas que ainda estavam em dúvida sobre a profissão que escolheram, uma vez que ela nos colocou em contato direto com o nosso público alvo e nos fez atuar de verdade e não numa situação hipotética, o que não nos faria ter a mesma responsabilidade e preocupação em dar uma boa aula, em fazer os nossos alunos aprenderem de fato.

A questão que considerei crítica para mim foi a elaboração das atividades de interpretação dos textos. Após ver as dez questões dos textos os quais eu estava encarregada de elaborar e descobrir que apenas uma ou nenhuma questão foi aproveitada, me senti um tanto incapaz de executar tal atividade em outros contextos, como na escola onde trabalho, por exemplo, se me visse frente a tal tarefa. Apesar disso, como já havia exposto na aula mesmo, aproveitei muito essa fase de elaboração de exercícios. Foi um período de grande interação com os colegas, de troca de experiência, de aprendizagem. Foram naqueles momentos que consegui ver o resultado de um pouco do que tínhamos visto de teoria.

Entretanto, entrando na questão que concerne o aporte teórico trabalhado em sala de aula, não consegui absorvê-lo e utilizá-lo de forma satisfatória (tanto que as minhas questões foram quase todas descartadas). Creio que um fator que tenha contribuido para essa não plena utilização da teoria tenha sido a falta de tempo. Não tivemos momentos suficientes de aula teórica para amadurecermos e praticarmos mais o que estávamos vendo. Senti-me um tanto perdida na hora de aplicar o que dizia nas apostilas. Talvez tenha sido falha minha. Talvez eu não tenha conseguido fazer uma leitura inteligente do material e assim não fui capaz de contribuir com ideias proveitosas nos momentos de discussão em aula. Talvez não tenha ficado claro para nós o que são atividades com foco no discurso – o que só depois de passada a fase de criação dos exercícios fui capaz de discernir.

Com relação à prática em sala de aula, com alunos reais, não tive problema algum em executar tal tarefa. Tanto nas aulas que ministrei quanto nas aulas que assisti consegui absorver muitas coisas úteis para minha profissão, para melhor desempenhá-la e para obter os resultados esperados por parte dos alunos. Foi um processo de cooperação, que também serviu para aprimorar nossa noção de grupo, de equipe, uma vez que as aulas tinham de ser encadeadas e que tinhamos que ter conhecimento das aulas dos colegas para ministrarmos a nossa aula de forma coerente. Assim, muito mais do que conseguir dar uma aula cada vez mais efetiva, ganhamos experiência em lidar com a parte administrativa, organizacional do curso, entrar em sintonia com os outros componentes de um mesmo trabalho, o que de forma alguma é de menor importância.

Por fim, devo ratificar que apesar dos contratempos, das correrias, da falta de uma melhor organização, o fato de esse projeto ter-se realizado anula todos esses dificultadores. O que valeu foi isso tudo ter acontecido, foi nós termos vivido isso e mais ainda com todos as intermpéries que vieram, porque nada na vida é inteiramente planejado e perfeito. Dessa forma, aprendemos também a lidar com os imprevistos, com as mudanças bruscas, com o elemento surpresa. O ser humano já é imperfeito por natureza e o que é inteligente não é exigir sua perfeição, mas aprender a lidar com – quem sabe até atenuar - suas imperfeições e seguir em frente.

Um comentário:

  1. Dear Gisele
    Obrigada por teres colocado este texto no teu blog, juntamente com a nossa foto tão linda, quando brindávamos à saúde dos formandos 2008. Obrigada pelas tuas palavras de reconhecimento, que me dão forças para seguir acreditando que nem tudo dá errado na vida de um professor, mesmo que a princípio pareça que sim.
    Como sabes, fiquei muito chateada com algumas críticas negativas que recebi de alguns alunos naquele semestre em que colocamos o Curso de Leitura para Alunos do Ensino Médio "na rua", para alunos de verdade, de escolas públicas, dando a cara à tapa, apesar da plena consciência de que a teoria não havia sido suficientemente absorvida por vocês, já que muito poucas questões que haviam elaborado apresentavam o viés discursivo pretendido por mim. Anyway, sofri como um cão, refazendo praticamente todas as questões, digitando e xerocando os exercícios relativos aos textos, sempre entregues em cima da hora, nas dependências do Colégio Gonzaga. Sem dúvida, um stress! Eu podia ter me poupado e deixado que vocês usassem as questões que haviam elaborado, mas o problema é que elas não refletiam as discussões teóricas sobre uma abordagem discursiva de leitura que havíamos feito em aula. Certamente não havia tempo suficiente para dar um feedback ao grupo, que era o que eu sabia ser fundamental fazer. Mas o nosso plano naquele semestre era fazer a associação entre teoria e prática, mesmo sabendo que estaríamos longe de uma situação ideal. Ao manter a dimensão prática da disciplina, apostei em todos vocês, então alunos do Curso de Letras, acreditando que, ao terem contato com as novas questões elaboradas por mim, aprenderiam alguma coisa "por tabela". Não sei quem de vocês teve tempo para analisar e refletir a respeito das novas questões e o que elas de fato traziam de diferente em termos de proposta discursiva de compreensão/interpretação textual. De qualquer forma, agora todos vocês aprenderão na prática, no dia-a-dia, certo? Só peço que nunca deixem de estudar, de ter contato com a literatura recente no campo de linguística aplicada e de formação docente. Estou falando a todos os alunos da turma de formandos de 2008, que agora são meus colegas, profissionais das Letras e do ensino de inglês como língua estrangeira, Gisele. Mais uma vez parabéns para ti, querida!
    Beijos,
    Sílvia

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